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Bonsai:
Ansiedade de um principiante
Quando nos
deparamos com a paixão arrebatadora pelo Bonsai, não nos
sai do pensamento a idéia fixa de possuir, criar, adquirir uma árvore,
que seja ela: nova, velha, forte, fraca, diminuta ou grandiosa, mas em
nossos olhos sempre e eternamente bela.
É o
começo de uma relação intensa, na qual existe dependência
e cumplicidade. Sucumbimos, então, aos meandros dessa paixão,
perdemos o poder da análise pura e simples. O desejo, por vezes
infantil da posse desenfreada nos cega, o sabor do querer sem limites nos
embriaga, nos vemos cercados pela ansiedade que nos toma o corpo e a alma.
O que ocorre
são os sintomas de uma primeira paixão: a falta de maturidade
nos trai, a sensação do desejo nos envolve. Todos os sentidos
afloram. Todos os controles se misturam. A todo esse aglomerado de fatos,
chamo de “angustia de um dia”, pois, buscamos em um mesmo instante, ultrapassar,
agrupar, obter todas as etapas da preparação de uma árvore,
seja o plantio, a poda das raízes e dos galhos, o transplante, a
aramação, a definição de um estilo, como se
a natureza se preocupasse com a rigidez das formas, com uma triangulação
perfeita. No entanto, o fundamental é a perpetuação
da vida em sua essência e forma.
O resultado
quando não estamos atentos ao caminho a seguir e simplesmente aglomeramos
em um único momento todos os processos, por ser logicamente mais
fácil, é por demais previsível. Não espere
um belo bonsai em um lindo vaso, mas uma boa armação para
a próxima árvore de natal. Por nossa precipitação
de iniciante condenamos nossa "criação". Devemos nos guiar
por nossa intuição, cada passo deve ser seguido em seus detalhes,
cada momento aproveitado em sua exaustão. Aprender com nossas observações
e, principalmente, com nossos erros é a essência de nossa
arte e a base de nossa vida.
Devemos conhecer
os nossos ímpetos e os aproveitá-los, e sempre buscar a docilidade
de um belo amor, partilhar os momentos, respeitar as limitações,
aproveitar as minúcias e os sabores do tempo de espera, da semente
à árvore formada. Devemos crescer com o nosso bonsai, adquirir
a sabedoria da paciência, nos envolver inteiramente com a saborosa
arte em constante e eterna mudança, transformar a ansiedade de um
principiante no sublime prazer de ser uma grande família.
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