.TRABALHOS e MATÉRIAS
Maceió - 
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YAMADORI URBANO
Por Bergson Vasconcelos*
Em toda e qualquer época, a prática do Yamadori (coleta de árvores na natureza, quando já são árvores-miniaturas) é sempre envolvente e excitante, sendo praticado na restinga, caatinga, montanhas ou pedreiras, em qualquer ambiente inóspito, que por suas condições de composição de solo ou climáticas, favoreçam a existência do bonsai. No entanto, a partir da prática de educar/trabalhar as árvores, o Yamadori se tornou amplo e praticamente irrestrito, pois vamos em busca de árvores/arbustos (araki) que possamos utilizar como base para um futuro bonsai.
Partindo do princípio da busca/pesquisa, é que todos os recantos servem como campo de coleta de material, e em meu caso, os jardins da cidade, com suas plantas antigas e normalmente esquecidas, crescendo ao sabor da natureza, transformando-se em exemplares perfeitos ao nosso objetivo.
O curioso do bonsaísta, é o estado alerta, sempre buscando com a visão algum exemplar que sirva para transformar em bonsai, e assim foi que “achei” uma Schefflera actinophilla (foto 1) de aproximadamente 30 anos, com 1,80m de altura, que chamou minha atenção pela composição de sua raízes aéreas (foto 2), fixadas a terra como se buscasse escapar de um grande vendaval, bem como, o aspecto envelhecido de seus troncos reforçando a imagem do antigo. 

Foto 1

Foto 2
Foto 3
Tratei então de reduzir para 40 cm de altura (foto 3), buscando uma formação harmoniosa; podando em seguida sua grossas raízes de fixação, a coloquei em uma grande lata (dessas de 20 litros), para desenvolvimento de suas raízes e recuperação de suas folhas e de seu vigor. Após seis meses com uma recuperação rápida e satisfatória, a transportei para um vaso de bonsai (fotos 4,5,6 e 7), onde resultou em uma agradável composição, de troncos múltiplos(kabudachi) e raiz exposta(neagari).
 
Foto 4 - Frente
Foto 5 - Costas
Foto 6 - Direita
Foto 7 – Esquerda

Sabe-se que é apenas um princípio, mas algo realmente satisfatório, uma interação entre a natureza e os nossos sonhos de bonsaísta.
 

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SASHIKI (ESTAQUIA) 

O ser humano por natureza é imediatista, tudo deseja, porém sempre para ontem. 
Quase sempre esquecemos que o passado é imutável, o futuro está por vir, e o que nos pertence é o presente, e é nele que deve residir nossos sonhos e realizações, que nossos resultados futuros, dependem do hoje. 

Sashiki que seria as mudas feitas por estacas, personifica bem, e colabora com nossa vontade urgente e imediata de resultados, pois necessita de menos tempo para formação e possibilita antever o nosso “bonsai” . 

As estacas para nossos futuros Bonsai, podem ser selecionadas de praticamente todos os tipos de árvores e arbustos. O principal cuidado reside no momento da escolha de nossas mudas, não necessariamente de um bonsai já formado, mas também de árvores e arbustos na natureza, devem ser fortes e saudáveis, e possuir a forma que desejamos a nosso futuro bonsai, não esquecendo que estacas menores desenvolvem raízes e crescimento mais rápido. 

Basicamente, devemos seguir um pequeno roteiro: 

1. O corte da estaca deve ser em diagonal, gerando uma maior área de contato e possibilitando um maior e uniforme enraizamento; 
2.Pode ser utilizado hormônio para acelerar o enraizamento, utilize a dosagem recomendada na embalagem, deixe de molho por 10 minutos; 
3. Utilize um recipiente com furos, para possibilitar uma melhor drenagem da água e assim evitar o apodrecimento das mudas; 
4. Como solo para estacas utilizo uma mistura de pedriscos (de areia lavada, 40%) e terra preta (60%), tendo o cuidado de esterilizar esse material (utilizo uma chapa de metal direto no fogo); 
5. Coloque as estacas no recipiente, deixando espaço entre elas; 
6. Molhe o suficiente, até que a água saia pelos furos do recipiente; 
7. Coloque no recipiente alguns arames para servirem de suporte, e então instale um plástico sobre eles, produzindo então um efeito estufa, mantendo assim umidade e calor necessários ao desenvolvimento das mudas; 
8. Lembrar de molhar diariamente as mudas, tantas vezes quanto forem necessárias, deixando o solo úmido e não encharcado; 
9. Inicialmente deixar as estacas a meia-sobra; 
10. Entre 30 e 60 dias começarão a crescer as raízes, e então as colocar em ambiente de incidência normal do sol; 
11. Adubar com fertilizante líquido (utilizar a metade da dosagem recomendada nas embalagens) a partir dos 180 dias; 
12. A partir de 12 meses devem ser plantadas em recipientes individuais, cortando a raiz principal e as mais grossas, possibilitando um crescimento uniforme de toda a massa de raízes. 

Começa então a formação propriamente dita de nosso “Bonsai”, precisa-se apenas de dedicação e tempo, qualidade e condição que é característica da alma de cada bonsaísta.

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MISHO (SEMENTIA)

Tempo e Paciência 

O tempo não nos pertence, invariável a nossa vontade segue contínuo e ininterrupto. No entanto, o dom da paciência pode-se adquirir e desenvolver, nos basta desejar alimentar nossa dedicação ao bonsai, onde o tempo é a base e a paciência o corpo.

Misho é uma técnica de cultivo de bonsai a partir de uma semente, onde podemos obter mudas de excelente qualidade, sendo que para isso, se faz necessário à utilização de material selecionado (sementes de boa procedência). 

Quando da seleção das sementes pode-se utilizar um procedimento simples na verificação das que são férteis: colocando na água, as boas sementes irão afundar enquanto a que não servem flutuam. 

No plantio das sementes é aconselhável seguir alguns procedimentos: 
1. Utilizar sementeira (bandeja plástica ou um vaso retangular para bonsai), potes plásticos individuais(reutilizar potes de yogurte), sacos para mudas(facilmente encontrados no mercado) ou simplesmente aplicar diretamente no solo (com um preparo prévio do material /substrato); 
2. Uma boa drenagem, para evitar o encharcamento do material e o apodrecimento das sementes; 
3. A sementeira deve estar localizada em local plano, com boa incidência de sol e protegido de vento; 
4. Na composição do solo utilizar terra preta e areia grossa, as proporções devem ser definidas de acordo com a espécie a ser plantada (utilizo duas partes de terra, uma de areia, uma de esterco, de uma forma geral); 
5. As sementes devem ser pressionadas na terra até a metade, em seguida cobertas com uma fina camada do composto; 
6. A melhor época para o plantio é a primavera, seguida do verão e do outono. 

A germinação deve ocorrer de trinta a noventa dias após o plantio, variando em relação ao tipo de árvore plantada. Com a brotação surgem folhas embrionárias cuja função é nutrir a planta, posteriormente surgirão as folhas verdadeiras. 

Quando as plantas estiverem suficientemente fortes deverão ser selecionadas as mais robustas e bonitas, e quando plantadas em bandejas as colocar em recipientes individuais. A primeira poda de raízes deve ocorrer após um ano, e é a mais importante na formação de uma muda de bonsai, pois formará uma planta sem raiz principal (pivotante) profunda. Deve-se começar a trabalhar a planta como bonsai a partir do segundo ano.Com esse procedimento o bonsai começará a tomar forma, para isto é necessário proceder continuamente com a educação das mudas, com podas e aramação, buscando o mais harmonioso resultado. 

Em todo o processo de produção de Bonsai,devemos sempre absorver o prazer de poder seguir passo a passo todas as etapas de desenvolvimento de uma planta: semente/germinação/transplante/poda de raízes/aramação/Árvore, aprender com a evolução de nossos esforços, absorver as boas lições que a natureza nos transmite e nunca esquecer que somos e sempre seremos donos de nossos destinos, que a decisão entre o fazer e o desistir é simples e nossa.

TAREFAS DE VERÃO
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Irrigação: Com certeza é a tarefa mais importante e fundamental de ser realizada para o bem estar da planta, e sem sombra de dúvidas é a principal causa de óbito destas plantas. O bonsai por estar plantando em vasos, possui pouca quantidade de substrato e por conseqüência retém um volume pequeno de água, sendo necessário um cuidado constante para a manutenção do nível adequado de umidade. No verão o fator evaporação age com maior intensidade, portanto deve-se molhar o bonsai mais vezes, sempre que a superfície do solo estiver secando.
Quantidade de água:
1. Em excesso: Vasos capilares ficam entupidos, podem causar a morte da planta (a possibilidade é remota), além de acelerar o crescimento da planta além do desejado;
2. Em falta: Raízes capilares secam e morrem, aliada as altas temperaturas causam a morte da planta.
Deve-se molhar as plantas diariamente, dependendo do calor, duas vezes a três vezes ao dia. Molhar sua planta deve ser um hábito regular, pois só assim conseguirá ver a real necessidade de seu bonsai, observando a umidade do solo e controlando a quantidade de água.
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Adubação: O verão é uma estação onde a adubação é primordial, pois é a época de crescimento da planta (período entre o final da primavera e o final do verão).
É preciso primeiro saber o que significa NPK, pois sempre estamos vendo nas embalagens de adubos e em geral não temos noção de seu significado e uso.
N é Nitrogênio, responsável pelo crescimento das folhas/planta.
P é fósforo, ajuda no crescimento da planta e é responsável pela floração e frutificação.
K é Potássio, que serve para o enraizamento e mantém a planta com suas fibras saudáveis.
Quando vemos NPK 12-15-12, que dizer que na composição deste adubo temos 12 partes de nitrogênio, 15 de fósforo e 12 de potássio.
Uma outra questão é o que devemos usar adubos naturais ou químicos? Vamos simplificar: os naturais precisam da ajuda dos microorganismos para liberar nitrogênio, fósforo e potássio, ou seja, vai sendo liberado de acordo com a necessidade da planta, enquanto que os químicos já possuem esses elementos liberados, uma dosagem alta provavelmente será fatal. As plantas morrem mais pelo excesso de adubação do que pela falta.
A dosagem a ser utilizada em caso de adubos químicos é a metade da recomendada nas embalagens, e deverá ser feito a cada 15 dias. Deve ser dado preferência aos compostos que contenham NPK + micronutrientes (nutrientes que a planta requer em menor quantidade: boro, cobre, zinco, molibdênio, cloro, ferro. Embora sejam também importantes para o seu desenvolvimento).
Em relação aos adubos naturais, a preocupação é menor, pois a liberação dos macro e micro nutrientes é lenta, podendo ser espalhado em toda a superfície do vaso.
A escolha é basicamente feita em relação ao custo, o que realmente determina é o que podemos fazer e nem sempre o que queremos.
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Poda: Neste aspecto reside a tentação, pois ao ver um bonsai emitir novos galhos/brotações o desejo de trabalhar com ele é quase incontrolável, contenha seus impulsos e pense bastante antes de agir, pois um galho cortado não pode ser colado na planta.
O verão com certeza é a estação de crescimento das plantas, onde um bonsai em suas condições ideais, ou seja, substrato bem composto e com boa drenagem, adubação regular e irrigação habitual, se desenvolve vigorosamente. 
Devemos então fazer nossa escolha:
1. Galhos que crescem na base do tronco: Devem ser podados, pois enfraquecem a planta, buscando o alimento que deveria estar sendo levado à copa do bonsai.
2. Galhos que crescem para cima: Se a intenção é engrossar os galhos, aguardar até que esteja na proporção que acharmos conveniente, mas se estiverem modificando a forma que consideramos ideal para nossa planta, deve então ser cortado. 
Não podemos esquecer dois cuidados básicos, primeiro que as ferramentas devem estar sempre limpas e afiadas, e segundo colocar uma pasta cicatrizante neste cortes (pode ser usado cola branca, mastique, cera de abelha com própolis ou uma pasta cicatrizante específica para bonsai).
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Pragas: Para não correr o risco de perder aquela planta que cuidamos durante muito tempo, que é resultado de nosso trabalho minucioso ou simplesmente foi um presente muito especial, devemos então ter em mente que nosso bonsai é um ser vivo e para tanto necessita de cuidados e atenções. O bonsai está sujeito a pragas (ácaros, pulgões, cochonilhas, etc.) ou doenças (através do ataque de bactérias e/ou fungos), e é necessário saber os principais motivos que causam estes problemas caso desejemos levar adiante esta atração/ paixão pela Arte Bonsai:
1. Descaso: Excesso de água, causando a saturação do substrato e provocando a proliferação de fungos;
2. Adubação/alimentação inadequada ou insuficiente: Planta desnutrida devido ao substrato estar esgotado ou sem adubação, este material não fornece a alimentação adequada ao bonsai, existe carência de nutrientes o que favorece a proliferação de doenças e ataques de pulgões, cochonilhas, ácaros e outras pragas.
Devemos então tomar algumas medidas para evitar essas infestações, mantendo o Bonsai em perfeitas condições de saúde:
1. Efetuar uma adubação/nutrição apropriada;
2.  Irrigar regularmente com água que esteja livre de cloro e outros resíduos químicos (utilizar se possível água de chuva, de nascentes, poços, etc.);
3.  E exposição diária ao sol (o que favorecerá o desenvolvimento equilibrado das plantas);
Para finalizar deve ser feito dois alertas, não existe a necessidade da aplicação preventiva de produtos químicos nas plantas, pois de que adianta o uso de defensivos se o problema não existe, estaremos sim saturando nossa planta e colocando em risco sua sanidade. E por fim efetuar um controle continuo nas plantas procurando possíveis focos de infestação, e caso seja localizado eliminar através da retirada manual do material atingido, e em último caso aplicar defensivos indicados ao caso após consulta a técnico especializado.